quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Quando sentimos o desprezo do Outro

Nem sempre os nossos nos dão o devido valor, aliás, em geral, é justamente entre as pessoas que nos conhecem (amigas/os, vizinhos e familiares) que recebemos as críticas mais ácidas, as desconfianças mais infelizes e as expectativas mais vacilantes. Foi assim com Jesus.

Depois de contar muitas histórias para seus discípulos e populares, ele regressou a sua terra natal, a cidade de Nazaré. Lá ele foi ensinar na sinagoga local e muitos ficaram impressionados com sua sabedoria e seu poder de operar milagres, pois não passava de um filho de carpinteiro com Maria, seus familiares eram conhecidos e moravam na localidade.

“Como pode um Zé Ninguém filho de gente pobre aqui da cidade ser um sábio e fazer milagres?”

O que Jesus sofreu, muitos de nós continuamos a sofrer ainda hoje. O preconceito, o desvalor e as tentativas várias de desmerecer nosso esforço, conhecimento, relação com Deus e princípios ético-espirituais.

“Quem ele pensa que é? E o desprezavam.”[1]

Jesus reconhece o problema, sente o preconceito e a ignorância deliberada. Aquele povo não queria enxergar a luz, o amor e a sabedoria que estava diante deles. O que prova que nem sempre ver é crer, pois eles viram, ouviram e ainda assim, não acreditaram na mensagem profética que Jesus, o Messias, era portador encarnado. O Deus de amor sofre o desprezo.

“Um profeta não é importante em sua terra e em sua família, nas ruas em que brincou quando criança.”

Assim foi com Jesus e assim pode ser conosco. E justamente por conta da indiferença e hostilidade do povo daquela localidade (“falta de fé” em algumas traduções), não fez ali muitos milagres. Realmente, com tal ambiente nem seria mesmo possível algo extraordinário, pois o extraordinário só se faz possível em ambiente de fé e acolhimento, não onde há o desprezo.

Oração: Deus querido, ajuda-me a resistir diante dos preconceitos e agir com energia e compaixão diante da hostilidade, do desprezo e da ignorância de muitos. Tu mesmo Senhor Jesus sentiu isso na pele, então, auxilia-me nesta hora e realiza em mim o milagre do teu amor e acolhimento. Amém.



[1] Tradução “A Mensagem” (Editora Vida) em Mateus 13:53-58 com o uso combinado da tradução “Nova Bíblia Viva” (Mundo Cristão Editora).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Tarefas do Cristianismo de Libertação (II): modernidade e idolatria [do mercado]


No artigo anterior, eu apresentei a ideia de que o atual Império global domina por sedução, fascinação, ao mesmo tempo em que impõe medo e a ideia de que não há alternativa ao sistema de mercado capitalista. Características de um sistema sagrado, que por ser sagrado exige sacrifício de vidas humanas. (Sagrado exige sacrifício, enquanto o Deus da Bíblia quer misericórdia em lugar de sacrifico. Os profetas chamaram o deus/sagrado que exige sacrifício de ídolo.) Diante deste tipo de capitalismo, que Marx chamou de "religião da vida cotidiana" fundada na fetichização da mercadoria e do capital, a crítica da religião se tornou novamente a condição preliminar de toda crítica.

Sem dúvida, uma das críticas mais potentes contra esta "idolatria do mercado" foi feita por alguns teólogos da libertação, como Hugo Assmann, Franz Hinkelammert, Jon Sobrino e Júlio de Santa Ana. Infelizmente a maioria destes livros está fora do catálogo das editoras e é pouco discutida ou estudada pelas novas gerações. Muitas das discussões no campo da teologia não consideram o atual sistema econômico-social como um tema teológico (no máximo como um tema da ética social ou da doutrina social), e, por outro lado, muitos dos cientistas sociais críticos não percebem o caráter sacral e religioso do atual sistema global. Entre cientistas sociais mais conhecidos no Brasil, Michael Löwy é um dos poucos que aprofundaram essa questão.

Esta separação ou distinção entre a teologia/ciências da religião e as ciências sociais como dois campos de conhecimento autônomos e independentes dificultam a compreensão mais acurada e crítica do caráter religioso do capitalismo, que Marx, M. Weber e W. Benjamin, entre outros mestres do passado, já haviam apontado. Por isso, eu penso que um dos passos fundamentais para fazermos uma crítica teórica da idolatria do mercado é repensar a própria concepção da razão e do fazer ciência gestada no mundo moderno.

Para entender melhor este desafio, é preciso primeiro criticar ou repensar a própria concepção do que é a modernidade. Normalmente a modernidade é compreendida e também criticada pela pretensão de construir um mundo baseado na razão e pela proposta de emancipação da humanidade ou de revolução libertária. A crítica pós-moderna se concentra na crítica da razão moderna e na pretensão de construir um "novo" mundo a partir da noção de revolução.

O problema é que nós assumimos a noção de modernidade que o próprio mundo Ocidental e moderno, através dos seus intelectuais, pintou sobe si, isto é, assumimos a ideologia do mundo moderno como a "verdade" sobre a modernidade. Se olharmos bem, veremos que a modernidade foi construída sobre a exploração colonial do continente que eles chamaram de América. Para acumular ouro e prata, escravizaram primeiro os nativos do Continente e depois os negros da África. Não satisfeitos com milhões de mortes causadas em nome da acumulação "racional" da riqueza/capital, colonizaram também os países da África e da Ásia. Em resumo, no outro lado da razão moderna está o irracionalismo de genocídios em nome da acumulação do capital-ouro; o lado luminoso da ilustração esconde o lado obscuro da modernidade, o seu lado irracional, sacrificial e opressivo. Muito antes do holocausto - que no fundo é resultado extremado da razão moderna - a Europa moderna já tinha causado genocídios na África, América e Ásia. Genocídios esses que pouco escandalizaram a Europa por serem de povos considerados inferiores pela razão moderna.

A base material da ilustração-razão moderna foi construída com a conquista, escravidão e exploração. Como Dussel já mostrou, a afirmação que iniciaria a modernidade, "Penso, logo sou!", foi procedida e tornada possível por "Conquisto, logo sou!"

Eu penso que a separação radical entre assuntos teológicos e sociais, entre a dimensão religiosa e a racional da sociedade, tem a ver com esta tentativa de esconder o lado irracional, sacrificial, idolátrico da modernidade do seu lado aparentemente racional e ilustrado.

O mundo moderno não é antirreligioso. Ele é contra religiões que se opõe à racionalidade da acumulação do capital e utiliza-se das religiões ou grupos religiosos que servem ao seu objetivo. Pior ainda, cria sua própria religião, que é expressão social do seu espírito idolátrico.

Sem uma compreensão crítica da modernidade e, portanto, também dos equívocos ou insuficiência das críticas pós-modernas e da própria noção de pós-modernidade, não podemos repensar a relação entre teologias críticas e teorias sociais críticas e fazer uma crítica teórica séria da idolatria do mercado.

Autor do texto: Jung Mo Sung [Co-autor, junto com Hugo Assmann, do "Deus em nós: o reinado que acontece no amor solidário aos pobres", Paulus].

Fonte: ADITAL/Publicado no domingo, 13 de março de 2011 - 21h57min
 
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tempo em que impõe medo e a idéia de que não há alternativa ao sistema de mercado capitalista. Características de um sistema sagrado, que por ser sagrado exige sacrifício de vidas humanas. (Sagrado exige sacrifício, enquanto Deus da Bíblia quer misericórdia em lugar de sacrifico. Os profetas chamaram o deus/sagrado que exige sacrifício de ídolo.) Diante deste tipo de capitalismo, que Marx chamou de "religião da vida cotidiana" fundada na fetichização da mercadoria e do capital, a crítica da religião se tornou novamente a condição preliminar de toda crítica.

Sem dúvida, uma das críticas mais potentes contra esta "idolatria do mercado" foi feita por alguns teólogos da libertação, como Hugo Assmann, Franz Hinkelammert, Jon Sobrino e Júlio de Santa Ana. Infelizmente a maioria destes livros está fora do catálogo das editoras e é pouco discutida ou estudada pelas novas gerações. Muitas das discussões no campo da teologia não consideram o atual sistema econômico-social como um tema teológico (no máximo como um tema da ética social ou da doutrina social), e, por outro lado, muitos dos cientistas sociais críticos não percebem o caráter sacral e religioso do atual sistema global. Entre cientistas sociais mais conhecidos no Brasil, Michael Löwy é um dos poucos que aprofundaram essa questão.

Esta separação ou distinção entre a teologia/ciências da religião e as ciências sociais como dois campos de conhecimento autônomos e independentes dificultam a compreensão mais acurada e crítica do caráter religioso do capitalismo, que Marx, M. Weber e W. Benjamin, entre outros mestres do passado, já haviam apontado. Por isso, eu penso que um dos passos fundamentais para fazermos uma crítica teórica da idolatria do mercado é repensar a própria concepção da razão e do fazer ciência gestada no mundo moderno.

Para entender melhor este desafio, é preciso primeiro criticar ou repensar a própria concepção do que é a modernidade. Normalmente a modernidade é compreendida e também criticada pela pretensão de construir um mundo baseado na razão e pela proposta de emancipação da humanidade ou de revolução libertária. A crítica pós-moderna se concentra na crítica da razão moderna e na pretensão de construir um "novo" mundo a partir da noção de revolução.

O problema é que nós assumimos a noção de modernidade que o próprio mundo Ocidental e moderno, através dos seus intelectuais, pintou sobe si, isto é, assumimos a ideologia do mundo moderno como a "verdade" sobre a modernidade. Se olharmos bem, veremos que a modernidade foi construída sobre a exploração colonial do continente que eles chamaram de América. Para acumular ouro e prata, escravizaram primeiro os nativos do Continente e depois os negros da África. Não satisfeitos com milhões de mortes causadas em nome da acumulação "racional" da riqueza/capital, colonizaram também os países da África e da Ásia. Em resumo, no outro lado da razão moderna está o irracionalismo de genocídios em nome da acumulação do capital-ouro; o lado luminoso da ilustração esconde o lado obscuro da modernidade, o seu lado irracional, sacrificial e opressivo. Muito antes do holocausto -que no fundo é resultado extremado da razão moderna-, Europa moderna já tinha causado genocídios na África, América e Ásia. Genocídios esses que pouco escandalizaram a Europa por serem de povos considerados inferiores pela razão moderna.

A base material da ilustração-razão moderna foi construída com a conquista, escravidão e exploração. Como Dussel já mostrou, a afirmação que iniciaria a modernidade, "Penso, logo sou!", foi procedida e tornada possível por "Conquisto, logo sou!"

Eu penso que a separação radical entre assuntos teológicos e sociais, entre a dimensão religiosa e a racional da sociedade, tem a ver com esta tentativa de esconder o lado irracional, sacrificial, idolátrico da modernidade do seu lado aparentemente racional e ilustrado.

O mundo moderno não é anti-religioso. Ele é contra religiões que se opõe à racionalidade da acumulação do capital e utiliza-se das religiões ou grupos religiosos que servem ao seu objetivo. Pior ainda, cria sua própria religião, que é expressão social do seu espírito idolátrico.

Sem uma compreensão crítica da modernidade e, portanto, também dos equívocos ou insuficiência das críticas pós-modernas e da própria noção de pós-modernidade, não podemos repensar a relação entre teologias críticas e teorias sociais críticas e fazer uma crítica teórica séria da idolatria do mercado.

[Co-autor, junto com Hugo Assmann, do "Deus em nós: o reinado que acontece no amor solidário aos pobres", Paulus].
http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=22&noticiaId=1838

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Esse deus é um demônio

O aumento da intolerância contra a comunidade LGBT – por vezes, com manifestações veladas, piadas e pequenas exclusões – é um sinal de que as forças do retrocesso se encontram em desespero diante do avanço de políticas públicas igualitárias (ainda que tais avanços sejam precários e vacilantes). É uma reação compreensível, mas que deve ser denunciada como maligna na medida em que espalha o ódio, a exclusão e tudo isso, em nome de deus, tal como fazem os líderes do biblicismo mais radical e legalista - repetindo os fariseus de outrora.

Que deus demoníaco[1]é esse dos chamados fundamentalistas? Sem dúvida, não é o Deus de Jesus Cristo que nos ensinou a síntese de toda a Escritura: "ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças e com toda a mente. E ame o seu próximo como você ama a você mesmo." (Lucas 10:27) Em Cristo, podemos ver Deus e perceber que Ele é bondade, amor, perdão, compaixão e humildade, um Deus que lava os pés de homens rudes e pecadores.

Esse é o ponto central de toda a Bíblia, a boa notícia: Deus é amor[2]. E é por esse axioma que devemos iluminar qualquer hermenêutica que se pretenda cristã. Agir homofobicamente, pregar preconceitos, distorcer a verdade maior do amor e justificar-se em Deus é blasfemar contra Ele que nos diz:

“Não use o meu nome sem o respeito que ele merece; pois eu sou o SENHOR, o Deus de vocês, e castigo aqueles que desrespeitam o meu nome”. (Êxodo 20:7)

Os discursos preconceituosos são induções ao mal, gestos de desamor, uma contradição com o ethos evangélico. Com Jesus, aprendemos que o amor deve ser a marca de toda/o discípula/o, pois o próprio Senhor nos recomenda isso: “amemos uns aos outros porque o amor vem de Deus. Quem ama é filho de Deus e conhece a Deus”. (1 João 4:7).

O profeta Neemias enfrentou inúmeras ciladas que tentavam paralisá-lo em sua missão de construir as muralhas de defesa (Neemias 6:1), mas ele não se intimidou, pelo contrário. Sabia de sua fragilidade humana[3], mas ancorou-se em Deus.

“O que eles queriam era nos meter medo para não continuarmos o trabalho. "Agora, ó Deus, aumenta as minhas forças!"” (Neemias 6:9)

Aquelas/es que mantém sua fé em Deus diante de todas as calúnias, perseguições e ciladas são Neemias contemporâneos que não recuam diante de todos os ataques homofóbicos e da tentativa de excluir do cristianismo aquelas/es que não se enquadram nos padrões sociais de heteronormatividade. Por isso mesmo, peçamos forças ao Deus misericordioso que é pai e mãe de tod@s, para não sucumbirmos ao medo e continuarmos nosso trabalho de luta por libertação social, política, econômica e sexual.

“Eu não sou do tipo de homem que foge e se esconde. Você pensa que eu tentaria salvar a minha vida me escondendo no Templo? Eu não vou fazer isso, de jeito nenhum”. (Neemias 6:11)

Não se esconda nos templos religiosos e nos armários da vida. Saia desse gueto que tentam te colocar e venha para a vida, pois Deus é vida em abundância[4], é gozo e alegria no Espírito Santo[5]. Assim, e somente assim, a fé poderá ser não uma fonte de alienação e ocultamento, mas sustentação existencial para combatermos o bom combate[6]por outro modelo societário, com justiça, paz, igualdade, fraternidade e respeito à diversidade sexual.





[1] Penso aqui em Paul Tilich.
 
[2] “Aquele que não ama não conhece a deus; porque Deus é amor”. (1 João 4:8)
 
[3] "Não há justo, nem sequer um.Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só". (Romanos 3:10-12)
 
[4] “Voltem para mim a fim de que tenham vida”. (Amós 5:4)
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (João 10:10)
 
[5] “Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz na vossa fé, para que abundeis na esperança pelo poder do Espírito Santo”. (Romanos 15:13)
“Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade”. (Gálatas 5:22)
“... vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo”. (1 Tessalonicenses 1:6)
“Mas alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; sim, gloriem-se em ti os que amam o teu nome”. (Salmo 5:11)
 
[6] “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”.(2 Timóteo 4:7)

domingo, 4 de novembro de 2012

Encontrei-me com Jesus hoje!



Neste domingo (04/11/2012) fui com a Giowana ao culto da Comunidade Betel/Igreja Presbiteriana da Praia em Botafogo (Rio de Janeiro-RJ), às 19 horas.

Demorei muito tempo para tomar essa decisão de visitar esta comunidade pastoreada pelo amigo reverendo Marcio Retamero. Tenho alguns temores em relação às chamadas “igrejas inclusivas”. Algumas são apenas reproduções dos mesmos discursos pentecostais/neopentecostais com aceitação de pessoas LGBTs. Não vejo nenhuma ruptura profunda com padrões de um deus machista, patriarcal, doador/devedor de bênçãos e autoritário. Não querendo me decepcionar com meu amigo, evitava ir à Betel.

Fui. E vivi um dos momentos mais gostosos de comunhão com o sagrado na minha vida. Cristo verdadeiramente soprava pelo local onde muitos/as “excluídos/as” da vida encontrava-se com Aquele que é o amor todo inclusivo.

O culto é reverente, protestante e reformado, com direito ao uso do hinário nos moldes tradicionais (“Novo Cântico”) e cantado de forma impecável por toda a comunidade. O povo de lá gosta de cantar mesmo! Os louvores (cânticos) eram belos, as letras escolhidas com cuidado e teocêntricos na essência. A santa ceia tinha profundidade mística, sem aquela displicência comum em igrejas evangélicas. A pregação era fiel ao Espírito que perpassa as Escrituras, mas com toques de bom humor em doses corretas.

O uso da Bíblia versão Almeida (RA) não me agrada, implicância pessoal, mas fiquei feliz quando o reverendo Retamero mencionou a Bíblia “A Mensagem” que tem uma tradução mais interessante e contemporânea.

Os momentos de oração eram sublimes, recheados com leituras responsivas das Escrituras – algo que anda em desuso nas diversas denominações “evangélicas” – enquanto uma única vela branca acesa no canto direito do altar dava o tom simbólico da presença do Espírito Santo.

O piano dava um toque especial ao culto e tudo glorificava ao Senhor, incluindo o Ministério de Louvor, todos cantando com zelo pela voz, tons e notas. Por falar nisso, fico espantado como se espalha em muitas igrejas a ideia absurda de que qualquer um deve cantar no culto, sem o cuidado de ofertar o melhor da comunidade para o culto sagrado. Gritar não é cantar e histeria não é culto. O povo da Comunidade Betel/Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) compreende bem isso.

O Credo era especial e incluía os direitos humanos, a diversidade e o amor radical pela humanidade, pois lá encontrei não uma igreja alienada, mas engajada na vida concreta. Aliás, foi emocionante orarmos juntos por todos os oprimidos, pelos empobrecidos e espoliados, pelos que sofrem com a homofobia, pelas prostitutas, pelos soropositivos e idosos/as.

Quem disse que um culto protestante ou reformado deve ser algo sisudo, frio e sem emoções? Afinal, foi a primeira vez que vi Giowana verdadeiramente tocada pelo sagrado e suas lágrimas testemunharam isso, as minhas também.

Enfim, nós saímos de lá com minha alma cheia de gozo pelo Senhor, com grande alegria diante da vida, edificados pelas leituras da Palavra e pregação (diácono Jeferson foi o profeta da noite). Preparado estou para viver mais uma semana debaixo da Sua misericordiosa Graça.

Recomendo a tod@s uma visita: http://www.betelrj.com/

 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jesus não pregou uma religião

Sim, sei que há pessoas muito religiosas e eu mesmo já tentei ser religioso de todas as maneiras, mas hoje compreendo com mais clareza, depois de tantas reflexões históricas, sociológicas, políticas, filosóficas e teológicas que Jesus Cristo não pregou uma religião, um novo código doutrinário. Na verdade, Seu Evangelho foi, em certo sentido, profundamente rebelde a anti-religioso.


Aquele homem da Galiléia era a voz de Deus ou o Seu Verbo que veio nos chamar, mais uma vez, para a interioridade, para questões muito profundas.


Ainda hoje, muitos confundem "ser religioso" com viver uma experiência com Deus. A segunda coisa era o que Cristo pregava. Ame sua religião, pratique sua religião, mas não se torne cego para aquilo que é essencial. Não se torne um fanático fundamentalista.


Esse vídeo nos faz pensar nessas questões todas e se você deseja entrar nessa viagem, aperte "play".




Estressado, ansioso e sem tempo?

Vivemos hoje ansiosos, estressados, ocupados demais, entupidos de coisas para ler e fazer, enfim, o tempo parece cada dia mais curto. Em meio a tanta correria, precisamos apertar a tecla "pause" em nosso corpo, em nosso psiquismo, caso contrário, o desastre físico, emocional e psicológico é certo.


Hoje é feriado, dia do trabalhador, por isso mesmo, além das justas lutas políticas, socioeconômicas e culturais, podemos aproveitar esse tempo para repensarmos nosso modelo de vida dentro desse sistema. 


Qual é a relação disso com a fé, foco deste meu blog?


Neste vídeo, chamado "Silêncio na Cidade", você irá conhecer a experiência de jovens com a meditação cristã. Eles aprenderam que ser é tão importante quanto "fazer coisas".


Parece estranho? Coisa de esotérico ou de religiões do Oriente? 



Bem, o Cristianismo nasce e cresce no Oriente médio, na Palestina, mas nós perdemos o contato com nossas raízes mais profundas e vivemos "sem tempo", distantes de nós mesmos e de Deus, Seu Espírito, sua energia vital.




A proposta da meditação cristã transcende os muros religiosos que separam seres humanos, é um mosteiro ecumênico e inserido no cotidiano. Não importa seus vícios, defeitos, sua orientação sexual, se é gordo ou magro, negro ou branco, a proposta é universal. Descansar no amor de Deus, no silêncio onde Ele fala, na mais profunda auto-aceitação de si mesmo.




Este vídeo mostra os inúmeros ganhos com a prática diária de uma meditação profunda, mas simples e adaptada à nossa vida ocidental. Entre e conheça nesses 10 minutos algo que pode mudar sua vida, pelo menos, experimente vivenciar esse processo por uma semana apenas e depois sinta os resultados.




Obs. O vídeo é legendado em português, basta apertar o botão "CC" caso não apareça imediatamente.





Entre e conheça mais sobre MEDITAÇÃO CRISTÃ em http://www.wccm.com.br/ 




segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia de Ogum, dia de são Jorge

A Umbanda é um religião brasileiríssima e surgiu no início do século 20 sincretizando elementos católicos com doutrinas esotéricas, espírita-kardecistas, pajelança/xamanismo brasileiro, cultos africanistas e magia cerimonial.


Na Umbanda se aprende a conviver com Jesus Cristo, o centro de todo o culto e altar, assim também com os santos católicos, índios (caboclos), os negros (pretos-velhos), o povo de rua (exus, malandros, etc.), os espíritos de luz (influências do kardecismo), os povos do Oriente, enfim, com toda a comunidade sócio-espiritual, sem exclusões. É a "unidade na diversidade" que muitos falam, mas poucos praticam.


O feriado de hoje, na cidade do Rio de Janeiro, tem um elemento simbólico interessantíssimo. Ele marca a unidade prática entre cristãos católicos, protestantes (que admiram o mártir Jorge como um dos que tombaram na defesa da fé) e religiões afro-brasileiras que identificaram na história do "santo guerreiro" uma associação com o seu orixá Ogum.


Penso que Jesus Cristo - ou o "Pai Oxalá" como é chamado na Umbanda e no Candomblé - deve estar feliz vendo Seu povo cantando, rezando, louvando e seguindo exemplos de luta e fé, de amor à causa do bem e resistência diante dos poderosos.


O exclusivismo soteriológico cristão ainda é muito forte. A ideia de que não existe "salvação" fora dos muros eclesiásticos ou fora da fé em Cristo - conforme interpretação dada pela ortodoxia - é uma questão de grande apelo nas massas evangélicas e em amplos setores católicos mais conservadores, por outro lado, sabemos que o Espírito divino sopra onde quer (S. João 3:8) e o Reino de Deus é inclusivo (cf. S. Mateus 25). O seu único critério de exclusão é a falta de amor, a ausência de caridade.


Chega de fundamentalismos biblicistas e guerras "em nome da fé". Oro, como Jesus orou, "para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em mim e eu em ti" (S. João 17:21). 


Vamos com isso dar uma chance para paz e a convivência, dando glórias a Deus pela vida de s. Jorge e dançando com Ogum (quem sabe, um dos anjos do Senhor!) para que nos proteja de todas as flechas dos nossos adversários, especialmente, dos nossos "demônios internos".